Lider do grupo Raça concede entrevista e fala sobre movimento de capoeira

 Vanessa Midlej concedeu entrevista exclusiva a Paulo César de Brito, do site Voz de Areia Branca

Durante o batizado de 30 crianças e adolescentes que o Grupo Raça promoveu em nossa cidade, a contra-mestra Vanessa Midlej concedeu entrevista exclusiva ao site Voz de Areia Branca através de Paulo César de Brito, onde a mesma fala sobre sua história no movimento e  sobre a importância da capoeira como esporte e cultura.



VAB – Quem é a mestra Vanessa?
Mestra Vanessa – primeiro que tudo quero agradecer o espaço ora me é cedido por esse competente meio de comunicação de nome Voz de Areia Branca. Eu me chamo Vanessa Midlej, tenho 37 anos, sou natural da cidade de Itabuna na Bahia. Sou fisioterapeuta e recentemente me formei em educadora física pela UFRN. Há 17 anos vim de muda para o Rio Grande do Norte. Sou uma pessoa irreverente, amiga, mãe, amiga, conselheira e que amo o que faço.
VAB – Como você conheceu a capoeira?
Mestra Vanessa – engraçado, meu esporte preferido era o surf. Gostava de estar sempre na praia com meus amigos. Sempre fui de estar em contato direto com a natureza. Outro dia estava curtindo uma praia e de repente avistei um grupo de pessoas que jogava capoeira. Achei muito bonito e interessante o jogo de pernas e braços. E logo me identifiquei com o jogo de capoeira. E aqui estou.
VAB – Como foram os seus primeiros passos para adentrar a capoeira?
Mestra Vanessa – minhas primeiras aulas foi com um professor de nome Dinho. Ele foi um professor audacioso, dedicado e que ao fundo ele sabia que eu me dedicaria de coração a capoeira. Ele foi o mentor de tudo. A chave para o meu sucesso hoje.
VAB – por você ser de Itabuna, terra de grandes mestres como Magrelo, Medicina e Suassuna teve influencia em sua carreira?
Mestra Vanessa – Sim. Pois cada um deles tem um grupo, uma instituição a zelar, assim como eu. De todos tive mais contato com o Mestre Magrelo ou Valdecir, como o queiram chamar, e Luiz Medicina. Tudo que tenho e sei dentro da capoeira foi me espelhando nesses grandes mestres que são baluartes da capoeira em nosso país.
VAB – Capoeira em Areia Branca já foi mais efervescente. Em anos anteriores houve uma queda brusca no movimento em decorrência de separações e criações de novos grupos. Qual a análise que você faz desse cenário no movimento de capoeira local?
Mestra Vanessa – veja bem, essa é a segunda vez que venho a Areia Branca. Em minha primeira visita pude sentir os capoeiristas apreensivos por causa de grupo A e B. Rivalidades sem motivos até. Muita fofoca, muito disse me disse sem fundamento. Reuni-me com mentes sábias e pedi a todos que acabassem com essas desavenças, pois não levaria ninguém a lugar algum. Hoje ao retornar a essa cidade, me sinto feliz, pois o comportamento de todos mudou cem por cento. O objetivo de todos os adeptos é de ampliar o movimento da  capoeira em Areia Branca. Dou-me muito bem com todos os alunos e professores, mesmo sendo de denominações diferentes da minha.
VAB – Você sempre foi ligada ao Grupo Raça de Capoeira?
Mestra Vanessa – Sim, apesar de ter sido casada com o mestre Irani do Grupo de Capoeira Cordão de Ouro, sempre vesti a camisa do Grupo Raça. Na verdade participava dos eventos do Cordão de Ouro por acompanhar meu ex-esposo com quem tenho uma filha de 4 aninhos. O Grupo Raça é a minha nação.
VAB – Na capoeira é comum que todos os integrantes possuem um apelido como marca registrada.  Por que você permanece sendo chamada pelo seu nome de registro, ou seja, Vanessa?
Mestra Vanessa – Alguns mestres tentaram me batizar com vários apelidos entre eles Pernalonga, por ser alta e ter timbre de voz semelhante ao da Ivete Sangalo, mais o nome Vanessa pegou e ficou até hoje.
VAB – Deixe seu recado para os praticantes e simpatizantes da capoeira em Areia Branca.
Mestra Vanessa – Aos praticantes, continuem firmes, pois a capoeira é resistência desde a época da escravatura. Vistam a camisa de verdade. Busquem conhecer e praticar o jogo de capoeira. A capoeira não é um movimento só para negros, e sim para todas as classes sociais. Seja ele negro, branco, índio, feio, bonito, excepcional, idosos. O importante é praticar o jogo de capoeira.
VAB – Com estas colocações, está mais que na hora do Cabeludo voltar à roda de capoeira?
Mestra Vanessa – Ah, primeiro quero agradecer a você cabeludo (apelido de Paulo César de Brito nas rodas de capoeira), pela excelente contribuição ao nosso evento, como mestre de cerimônia e colunista do site Voz de Areia Branca, um exímio tocador de atabaque de capoeira. Você é show negão!
VAB – Eu me encontro um pouco obeso, pesando102 kg, e agora?
Mestra Vanessa – Cabeludo, nem que eu traga a Areia Branca um personal trainner para lhe ajudar na parte física, mais volte cabeludo, a capoeira precisa muito da sua contribuição.
VAB – Aceito o convite. Um cheiro bem salgadinho em referência ao nosso sal.
Mestra Vanessa – Deixo meu abraço apimentado da Bahia com um gostinho potiguar. Beijos pra lá de arretado meu rei! Muito axé para todos.



Vonte: http://vozdeareiabranca.com.br/page/2/

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